
Depois de um certo período
você deve ter notado que as coisas se transformam. A realidade está em
movimento. Por isso seu saber precisa acompanhar o ritmo exigente da verdade. A
mente desperta reconhece que é necessário se harmonizar com as virtudes para
permanecer em plena graça. O ser pensante sabe que sem a consistência da
prática espiritual, a religação com a fonte não seria possível. Você pode ter
percebido que a percepção mais refinada vem com a presença do pensador no
tempo. O pensador que para de refletir obscuramente, e busca o esclarecimento
de suas ideias, mostra ao mundo a importância da determinação filosófica.
Através de quem? Ora, senão que absolutamente de sua espiritualidade, o ser
humano não se libertaria da escravidão irracional que o acomete em infortúnio.
É fundamental para estar acima do circuito vicioso das paixões carnais, ter a
consciência cristalina de um ser ascendido – da carnalidade à intelectualidade.
A carnalidade retrocede o
ser à função cármica, este que acaba perdendo capacidade receptiva de energia
espiritual, que está contida na realidade, e desperdiça tempo científico com
modelamento animal. Seu animal que demanda prazer. Sua parcela passional que
corre atrás de satisfação afetiva, se não bem regulada pode levar à mania. O poder do ser humano emerge quando
transcendemos a polaridade dividida da shiva-shakit, unificando-nos como
indivíduos sublimes noutra categoria social. O novo yogi buscar reconhecer o
conhecimento de todo o legado humano. Essa é sua joia. Embora o fruto da carne
leve à repetição da ignorância, enquanto que o fruto do intelecto leva a
perfeição moral, a castidade não nos é conquistada sem esforço, e sim através
da experiência de discernimento. No tantra yoga, a subida da energia sexual – a
Kundalini -, exerce uma regeneração nos chakras, limpando resíduos de energia
neles impregnados e regulando a saúde integral entre corpo, mente e alma.
Só que a energia sexual não é um playground entre o bem e o mal. A Kundalini
pode ser fatal se não bem administrada. Tal energia é, sobretudo, a sugestão da
serpente, que invoca a mente humana sua condição divina, a troco de um processo
humanizador. A sugestão do impulso sexual tem que ser refreada pela consciência
moral.
Já o Samsara é o desalento
assombroso do pânico. O ser não conseguirá permanecer transfigurado no nirvana,
se ele não se liberta além da vida e da morte. O Samsara é a dimensão da auto
sabotagem. O caos do pensamento obsessor. O sujeito no samsara não vê o
horizonte desperto, a plena concepção da realidade, e fica vazio pelas miragens
do mal. Ele é enganado por sua psique à materializar em seu ego a dissonância
com a realidade. A psicossomática do Samsara altera a capacidade perceptiva da
razão, lançando o sujeito à procura da transcendência. Mas esta não
necessariamente a condição à incondicionalidade. A somática do Samsara na
verdade é uma subtração inteiramente espiritual, que pode gerar efeitos paradoxais
no corpo físico. No Samsara o ser renasce à mortalidade. Esta que é entendida
como pulsão cármica. A morte é tão somente simbólica no micro cosmos como no
macro cosmos. A morte é uma passagem de uma frequência à outra, tanto positiva
quando negativamente. A morte são variações subjetivas da negatividade, que
obscurecem a psique e drenam energia vital. As preocupações exageradas, os
delírios de grandeza, o apego aos sentidos inferiores. O ego regula as pulsões
basilares, mas se não estiver alinhado ao Eu Superior, as noções de
conhecimento se esvanecem na escuridão.
Com a Kundalini operando em
modo sáttvico, o sujeito se individualiza em seu Dharma – que é a síntese das
propriedades de sua razão. A energia sexual balanceada proporciona uma entrega ao
verdadeiro amor, o primeiro e último, que deve ser à Deus. Este é o primeiro
mandamento. Para conquistar a dignidade de ser amado vós deveis amar. Amar Quem
tudo criou. Esse ato é um ponto de basta, a fé que remove montanhas, a ascensão
do caráter ao céu. A alquimia sexual nos revela que devemos conservar nossa
energia existencial, para nutrir a alma, e não o corpo, com valores à altura da
fé que nos dá propósito e destino. A purificação começa quando tudo parece ter
sido perdido, menos a esperança. É possível ser um novo homem e escrever sua
própria história. Para alcançar a libertação o caminho é a purificação.
Voltando o olhar ao sofrimento do Unigênito, somos redimidos e contemplados em
seu divino amor.
A compulsividade é um elemento
do ser inferior que precisa de transmutação. Se não dominamos as influências de
baixa vibração, cedemos espaço à transgressão. A mente transita na dualidade e
pode atrair sofrimento. A dualidade é a escola de maestria à autonomia da
razão. Mas nem tudo é só razão. Há também a espiritualidade, que nos convoca ao
exercício sobrenatural da fé. Com fé podemos caminhar livres. Com fé podemos
desatar as amarras do medo. A fé nos ensina a lidar com a essencialidade das
coisas. Enquanto o ego pede mais do que o necessário, o espírito sabe que só
precisa apresentar-se em amor. Desta forma, unindo-nos em fé e amor,
transformamos as incoerências egoístas em produtividade. Eis o propósito da
alquimia, transformar os metais pesados da psique, em ouro puro do espírito.
Aquele que acorda sua
espiritualidade jamais cairá em sono pesado. Estar atento é ter motivação pra
viver positivamente pra sempre. Essa atenção plena é o presente que Jesus
Cristo nos doou com sua entrega. Basta que você creia no sacrifício corporal
pela infinitude espiritual, que entenderás a razão de renunciar o mundo ao
plano divino. Sair da matrix é enxergar com o terceiro olho. Desativar a matrix
é conhecer que Maya é criada pela mente. Maya é uma projeção psíquica do
desejo. Você sabe desejar? Ou só continua a ser movimentado involuntariamente
por uma força desconhecida? Respire fundo e utilize a sua fé! Estenda sua mão à
Deus, e vós sereis amparados, nos será doado a compaixão de um ser eternamente
amado, o infinito amor puro, o conhecimento absoluto, o poder do presente.
Confie na glória eterna do Criador e aja com a renúncia do pecado à iluminação.
Você será reformado, suas atitudes clareadas, e seu respirar te preencherá de
Luz Quântica. Você receberá as boas vindas da realidade. Você transcenderá a
materialidade entendendo que Deus é aliança indestrutível de saúde integral.
Você pode frear as pulsões
da morte porque Jesus Vive. Aprenda que Deus é vida pura. Você pode se inteirar
na Luz Quântica por que Deus é amor. Neste alinhamento, o bem é o ser que
reconhece o fundamento da razão. O bem é o ser que humildemente sabe de sua
condição missionária. Cada dia o dever deve ser comprido ao direito maior. Amor,
senão? Amor como dignidade de direitos. Amor como instrumento da fé social. Se
nosso egoísmo permitir, amaremos sem nada resistir. Amar a incondicionalidade
da razão de existir e poder partilhar da honra do ser humano.
O pecado é um crime
metafísico, por isso ele pune quem o pratica. A má ação conduz à perdição. E o
pecado social de nossa geração é a estrutura do carma social que reproduz a
miséria do materialismo desgovernado. No
mundo ocidental há uma fissão na brasa do orgulho, que instala o programa da
recompensa, e a espiritualidade positiva gratuita. Essa separação dá
continuidade ao mundo de nossa física. É preciso ser para ter e vice versa. A
subjetividade, no seu sentido análogo, está associada a profusão da liberdade.
E a objetividade é o encaminhamento de nosso ser no mundo fenomênico. Para
purificar o espírito, o ser precisa compreender a holística da realidade. Somos
seres de ação. Somos voltados com o arrebatamento. O fim do mundo, portanto, é
necessário. Shiva destrói para Brahma construir. Cronos ceifa para Júpiter
expandir.
Maya é o desenrolo confuso
da multiplicidade subjetiva. A falsa crença que leva o ser humano a transgredir
sua natureza simples. Maya é a caverna platônica onde o sujeito conspira seus
sentidos. O aspirante tem que saber onde está. E Ele está no meio de nós. Ou
seja, o ser é a coluna central, na Cabala é Kether, a consciência. A
consciência é a fonte do mundo das emanações. Onde a psique está harmonizada no
Ain, isto é, a visão religada do homem primordial; o Avatar de Deus no
inefável. Esse é o capital, a consciência verdadeira e infinita. O yoga é
justamente uma postura de excelência com a sabedoria crística. Ela te dará
instrução de contemplação da autoconsciência. Embora a ética Cristã conserve a
retidão sendo passo à Bhakti, um Sadhana (prescrição), a experiência do
Preservador (Vishnu) nos indica que Deus é o Absoluto à ser louvado. O Senhor
se revela na metáfora do tempo.
Quando ouvimos o indesejado,
quando praticamos o indesejado, damos permissão, também involuntária, à falta
de autodomínio. O Bodhisattva não iluminado ouve sem escutar com atenção as
repetições que se alojaram em seu campo de força. Esses gatilhos do
subconsciente são consequentes do carma que colhemos. A ferida emocional drena
a vitalidade do ser humano às profundezas infernais. Para se viver em harmonia com
o todo é crucial ressoar na sabedoria da consciência.
Silencie sua mente, cuide de seus sentimentos, pratique o bem. A estado de consciência é a verdade que se move com Deus. Para queimarmos as impurezas temos que nos situar perante Deus. A libertação (Moksha) não vem de graça. A graça (Dharma) nos é conquistada através da perseverança. As principais religiões, como as do eixo ocidental como do eixo oriental, exercem uma clínica humanística que promove o sentido à vida; encontrar Deus no seu próprio templo. O sofrimento espiritual e emocional só é um mistério se você não abrir sua consciência à realidade. O Dharma é a organização intelectual com que nos atém ao equilíbrio do ideal entre racionalidade e espiritualidade. Somos seres espirituais numa aventura material. A vida religiosa, com senso crítico de dever, de missão devocional, de co-criação, direciona o aspirante ao usufruto de bonanças. Retendo nossa semente na circulação transcendente, realizamos o propósito da castidade, guardando o mandamento de amor ao Eterno.
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